
Passou um tempo, eu dei uma passeada pela pista, conversei com um pessoal, voltei pra mesa pra comer mais uns quitutes, e quando voltei à pista, percebi a falta de duas pessoas. Quando as procuro no meio da multidão, vejo uma dando um beijo cinematográfico em uma outra pessoa, até então desconhecida, e outra beijando uma pessoa mais famosa, um membro

da banda que tocava no casamento. É...tava todo mundo se arranjando. Sentei no meu sofá novamente e vejo Patrícia sentada em uma cadeira, mexendo em seu pé que estava muuuuito sujo e cheio de cacos de vidro. Me aproximei para ver se ela estava bem, e ela totalmente sóbria (mentira) pega o meu dedo e passa em seu pé imuuuundo para que eu sentisse o vidro que estava na sola de seu pé. Estes são os ossos do ofício de um sóbrio no meio de bêbados.
A festa estava acabando, a banda já tinha parado, mesmo porque um de seus mebros estava ocupado com outra coisa (pessoa) agora, a iluminação já havia sido desligada, a pista estava mais vazia, então resolvemos ir embora. Fomos caminhando para o carro, cedi os meus sapatos para a Patrícia, pois os seus pés doíam devido aos cacos de vidro, a Camila caminhava conosco gritando declarações de amor para uma pessoa X, a Verônica puxava o Denis, pois o mesmo estava ainda fazendo amizades com o garçom. A Marina? Cadê a Marina? Ah ta, olha ela ali na frente, acompanhada. A cena era esta, eu caminhando de meia social no chão, a Patrícia com meus sapatos e conversando com o fotógrafo dizendo
“Meeeu, esse sapato é muito confortável. Você não tem noção”, o Denis tinha sumido, a Verônica tinha desistido de achar o noivo, a Camila continuava gritando e a Marina resolvia sua noite.
Peguei a chave e saí de carro procurando o Denis. Achei ele! Estava bêbado? Sim! Mas disse que tinha condições de dirigir, e demonstrou isso entrando na contramão, indo na direção errada e fazendo uma curva a toda velocidade pra cima de uma cerca de metal. Eu, no banco de trás, estava bravo com a imprudência do motorista, enquanto Patrícia, Camila e o próprio Denis cantavam
“Toda vez que eu chego em casa, a barata da vizinha ta na minha cama” e ouvindo comentários sobre uma pessoa que estava de calcinha bege de vovó, logo, dormiria sozinha. O Denis cruzava todas as ruas, entrava na contra-mão, dirigia rápido demais. Quando chegamos no hotel, depois de dar um sermão no Denis, entrei no meu quarto com o sentimento de felicidade por ter sobrevivido.

Acordamos tarde no outro dia, eu terminava de arrumar as minhas coisas quando batem na minha porta. Era a Marina, a Patrícia e a Camila. Descemos, fiz o check-out, enquanto a Marina e a Camila se despediam e iam embora. Paguei a hospedagem e perguntei para o recepcionista, que também era cozinheiro, se não tinha uma cafezinho pra tomar. Ele disse que o café já havia acabado, retruquei dizendo que eu só queria uma xícara de café, e ele respondeu que o café tinha acabado. Imagino como os artistas do rodeio reagiriam a isto.
O Denis e a Verônica desceram, pagaram as contas e fomos embora. Estávamos morrendo de fome, então paramos para comer logo na saída da cidade. Era um churrascaria. Nos servimos e ficamos esperando a carne. Como uma conspiração, os garçons passavam em todas as mesas, menos na nossa. Já estava ficando nervoso com aquela cambada de caipira, quando vejo um senhor vindo com o queijo à nossa mesa. Tenta imaginar um senhor muito gordo e muito suado trazendo queijo grelhado à mesa, pois foi assim. Eu olhava pro pescoço do homem, que aparentemente era dono do restaurante, e via todo aquele suor, parecia que tinha saído da sauna. Ao mesmo tempo, olhava para aquele queijo pingando em gordura. MEDO! Bom, eu tenho anti-corpos pra comer qualquer coisa, afinal, quem já comeu ovo colorido, pode comer queijo suado. Foi quando o gordão deixa cair metade dos queijos no chão e na mesa. Olho para a minha calça, toda suja de queijo. A mesa tem queijo espalhado por todo lugar. Aaaaahhh...que raiva!. Enquanto a Paty ria de mim, o gordaço recolhia os queijos que tinham caído da mesa e os colocava de volta ao espeto, que em minutos depois ele servia a um otário de outra mesa. Aquele restaurante me fez pegar ódio de caipira. Seja pelo garçom dizendo “Fartou dois garçom hoje” ou pela demora e péssimo atendimento, ou pela menina que passava o cartão que me perguntou “É créto ou déto?”, que em português significa “É crédito ou débito?”. Saímos de lá e continuamos nossa viagem, agora só eu e o Denis estávamos acordados. Enquanto Verônica cohilava no banco da frente e Paty roncava ao meu lado, eu e o Denis discutíamos sobre investimentos e negócios. Elas acordaram, resolvemos parar para tomar um cafezinho, acabamos comendo bombas de chocolate, tortinhas, pudim, coxinha, empadinha, leite com nescau, café. O que era para ser um café de 5 minutos, transformou-se na minha janta.
Chegamos em São Paulo, o Denis deixou a Paty em sua casa, depois me deixou em casa. Todos vivos, com boas memórias de uma viagem tranqüila, porém engraçada.