terça-feira, 13 de abril de 2010

Casamento no Interior

Ir a um casamento pode ser algo chato, pois as vezes você mal conhece os noivos ou é alguém da família que você só viu umas três vezes na vida. Mas, neste fim de semana, fui no casamento de minha queridíssima amiga Renata, companheira de faculdade e TCC.

O casamento foi na cidade de São José do Rio Pardo, que até então, eu nunca tinha ouvido falar. Por isto, resolvi ir de carona com um amigo, o Denis e sua futura esposa, Verônica. Como ele mora longe de casa e próximo a saída para a Marginal, combinamos de nos encontrar no metrô Bresser. Sábado de manhã arrumei minhas coisas, peguei o meu terno e fui para o local combinado. Foi interessante esta ida do Paraíso ao Bresser, pois a linha vermelha do metrô é algo no mínimo exótico. Primeiro que o trem vai por cima e não por baixo, pela janela você vê trilhos de trem, prédios antigos, muitos galpões, ambulantes, ambulantes, mais ambulantes. E dentro do trem você vê mais ambulantes...tinha gente vendendo até colchão.

Cheguei no local combinado, onde encontrei a Camila, outra amiga que pegaria carona. Tomamos um café no boteco enquanto o Denis não chegava, ao lado de pessoas que já tomavam cerveja e pinga com limão as 10h30 da manhã. O Denis chegou, legal, guardamos as nossas coisas no porta-malas, entramos e fomos em direção a Marginal, onde pegaríamos a Paty, outra carona do Denis. Encostamos em um Carrefour, pegamos a Paty, descemos para comprar água, fazer um xixi, enquanto a Verônica comprava o seu coquetel de remédios.

Agora sim, estávamos prontos para viajar rumo a São José do Rio Pardo. A viagem foi tranqüila, pouco trânsito. Paramos para almoçar no meio do caminho, onde comemos um belo prato comercial, daqueles de pedreiro, com direito a repolho, calabresa, carne assada, arroz colorido, e alface e tomate, onde o garçom deve ter cuspido muito, depois que a Camila encheu o saco para comer uma “saladinha”. Comemos, eu quase perdi um dente com uma pedra que tinha dentro da lingüiça, voltamos para o carro e seguimos viagem. O Denis estava com o carro de seu pai, por isto, todo cuidado era pouco. Não que ele tenha sido cuidadoso, afinal, ele dirigia a 170km/h e mantinha uma distância de 10 cm para o carro da frente....super seguro. Chegamos na cidade, fomos deixar a Camila e a Paty na pousada onde elas haviam feito reservas. Chegando lá, ao entrar no estacionamento, o nosso querido motorista dá uma bela ralada na lateral do carro. Entre desculpas como “Tinha um ferro ali no chão” e “Não foi culpa minha”, entramos na pousada, deixamos as meninas, e seguimos para o nosso hotel, onde o Denis quase ralou o carro de novo. Fizemos check-in e subimos ao quarto. O rapaz da recepção, que era o mesmo que guardava o carro, levava a comida no quarto, fazia o café e carregava as malas, nos disse que aquele hotel era onde os artistas do rodeio ficavam quando vinham à cidade. Ok, o local era uma pensão. A TV só tinha 4 canais, o ar-condicionado parecia de filme de terror, a torneira do banheiro parecia uma mangueira de bombeiro tamanha pressão da água, o chuveiro era daqueles que a água cai quente, mas com alguns pingos gelados no meio. Bom, até aí sem problemas, só íamos dormir lá, então ok.

Descansamos a tarde, depois encontramos a Marina para comer um pastelzinho. Conversamos, acertamos tudo para o casamento e fomos ao quarto tomar banho e nos arrumar. O casamento estava programado para começar as 19h30, então marcamos de sair do hotel as 19 horas. Uma van ia levar o pessoal do hotel para a igreja, mas preferimos ir de carro para ter mais liberdade.

Chegamos na igreja, procuramos um lugar legal pra sentar, e acabamos sentando no canto, com uma pilastra na frente e com um cheiro forte de xixi. Ótimo! A cerimônia deu uma atrasadinha básica, até que entra a noiva, ao som de Bon Jovi, emocionante. O que não foi emocionante foi o padre. Olha, os católicos que me perdoem, mas eu queria pegar a minha gravata e enfiar na boca do sujeito, pois não agüentava mais ele falando e falando sem parar. E ainda rolava aquelas trocas de frases sabe, quando o padre diz algo e você tem que responder algo? Acompanhado do Denis, eu apenas movia os meus lábios fingindo que também estava falando/rezando. Depois de algumas horas ouvindo o padre falando, cantando, fazendo piadinhas, rezando, falando, comentando e falando mais um pouco, a cerimônia acabou. Ufa...vamos para a festa!

Entramos no carro Eu, o Denis, a Verônica, a Marina, a Patrícia e a Camila. Não, o Denis não dirigia uma van, era um carro mesmo. Seguimos então para o local da festa, todos empolgados. Ao chegar lá, um local muito bonito e grande. Sentamos em uma mesa e como pobres e favelados, nos revezávamos em buscar pratinhos de quitutes e trazer para todos. Sempre tinha alguém vindo à mesa com um pratinho lotado de salgadinhos: empadinha de queijo, canapés de queijo, enroladinhos de queijo, queijo, doce de queijo, queijadinha...hmmmm! Comi demais, tanto que nem jantei.

Ficamos conversando durante um tempo na mesa, falávamos sobre épocas da faculdade, de pessoas engraçadas como o Nivaldo (colega de classe), sobre o casamento do Denis que vai ser este ano. Até que resolvemos ir à pista de dança, alguns já bêbados, dançando com desconhecidos (Camila), outros descalços (Paty), outro ainda engravatados (Denis), outros com fome (Marina), outros normais (Eu e a Verônica). Entre uma música ou outra, o pessoal ia se soltando, alguns já dançavam mais entusiasmados, enquanto o Denis dançava como se estivesse possuído por demônios. A festa estava muito boa, começaram a distribuir aqueles óculos, anteninhas, orelhas de coelho...tudo estava indo bem, até que a noiva, minha querida amiga Renata, me chama de canto e me diz “Thi, vou te falar uma coisa, mas você promete que não fica bravo?”. Tava na cara que eu ia ficar, mas disse que podia falar, então ela respondeu “Então, tem um amigo meu que está apaixonado por você. Eu queria saber se rola alguma coisa”. Amigos e amigas, imaginem a situação. A minha querida amiga de faculdade, que me acompanhou durante anos e me conhecia bem, perguntando se eu não queria ficar com um amigo dela. Pois é, foi um pouco constrangedor, mas era o dia dela, por isto, respondi com toda a parcimônia possível dizendo que não era a minha praia. A partir daí, fiquei meio apreensivo pensando que talvez eu estivesse fazendo algo que fizesse os outros acharem que eu era gay. Resolvi ficar mais reservado. Sentei num sofázinho e fiquei observando a pista. Observei o Denis dançando axé como se estivesse em um ritual de kadomblé, a Patrícia, pulando e dançando descalça em uma pista repleta de cacos de vidro, a Verônica acompanhando seu noivo nas danças, mas com muito mais delicadeza, e a Camila e a Marina fazendo networking.

Passou um tempo, eu dei uma passeada pela pista, conversei com um pessoal, voltei pra mesa pra comer mais uns quitutes, e quando voltei à pista, percebi a falta de duas pessoas. Quando as procuro no meio da multidão, vejo uma dando um beijo cinematográfico em uma outra pessoa, até então desconhecida, e outra beijando uma pessoa mais famosa, um membro da banda que tocava no casamento. É...tava todo mundo se arranjando. Sentei no meu sofá novamente e vejo Patrícia sentada em uma cadeira, mexendo em seu pé que estava muuuuito sujo e cheio de cacos de vidro. Me aproximei para ver se ela estava bem, e ela totalmente sóbria (mentira) pega o meu dedo e passa em seu pé imuuuundo para que eu sentisse o vidro que estava na sola de seu pé. Estes são os ossos do ofício de um sóbrio no meio de bêbados.

A festa estava acabando, a banda já tinha parado, mesmo porque um de seus mebros estava ocupado com outra coisa (pessoa) agora, a iluminação já havia sido desligada, a pista estava mais vazia, então resolvemos ir embora. Fomos caminhando para o carro, cedi os meus sapatos para a Patrícia, pois os seus pés doíam devido aos cacos de vidro, a Camila caminhava conosco gritando declarações de amor para uma pessoa X, a Verônica puxava o Denis, pois o mesmo estava ainda fazendo amizades com o garçom. A Marina? Cadê a Marina? Ah ta, olha ela ali na frente, acompanhada. A cena era esta, eu caminhando de meia social no chão, a Patrícia com meus sapatos e conversando com o fotógrafo dizendo “Meeeu, esse sapato é muito confortável. Você não tem noção”, o Denis tinha sumido, a Verônica tinha desistido de achar o noivo, a Camila continuava gritando e a Marina resolvia sua noite.

Peguei a chave e saí de carro procurando o Denis. Achei ele! Estava bêbado? Sim! Mas disse que tinha condições de dirigir, e demonstrou isso entrando na contramão, indo na direção errada e fazendo uma curva a toda velocidade pra cima de uma cerca de metal. Eu, no banco de trás, estava bravo com a imprudência do motorista, enquanto Patrícia, Camila e o próprio Denis cantavam “Toda vez que eu chego em casa, a barata da vizinha ta na minha cama” e ouvindo comentários sobre uma pessoa que estava de calcinha bege de vovó, logo, dormiria sozinha. O Denis cruzava todas as ruas, entrava na contra-mão, dirigia rápido demais. Quando chegamos no hotel, depois de dar um sermão no Denis, entrei no meu quarto com o sentimento de felicidade por ter sobrevivido.

Acordamos tarde no outro dia, eu terminava de arrumar as minhas coisas quando batem na minha porta. Era a Marina, a Patrícia e a Camila. Descemos, fiz o check-out, enquanto a Marina e a Camila se despediam e iam embora. Paguei a hospedagem e perguntei para o recepcionista, que também era cozinheiro, se não tinha uma cafezinho pra tomar. Ele disse que o café já havia acabado, retruquei dizendo que eu só queria uma xícara de café, e ele respondeu que o café tinha acabado. Imagino como os artistas do rodeio reagiriam a isto.

O Denis e a Verônica desceram, pagaram as contas e fomos embora. Estávamos morrendo de fome, então paramos para comer logo na saída da cidade. Era um churrascaria. Nos servimos e ficamos esperando a carne. Como uma conspiração, os garçons passavam em todas as mesas, menos na nossa. Já estava ficando nervoso com aquela cambada de caipira, quando vejo um senhor vindo com o queijo à nossa mesa. Tenta imaginar um senhor muito gordo e muito suado trazendo queijo grelhado à mesa, pois foi assim. Eu olhava pro pescoço do homem, que aparentemente era dono do restaurante, e via todo aquele suor, parecia que tinha saído da sauna. Ao mesmo tempo, olhava para aquele queijo pingando em gordura. MEDO! Bom, eu tenho anti-corpos pra comer qualquer coisa, afinal, quem já comeu ovo colorido, pode comer queijo suado. Foi quando o gordão deixa cair metade dos queijos no chão e na mesa. Olho para a minha calça, toda suja de queijo. A mesa tem queijo espalhado por todo lugar. Aaaaahhh...que raiva!. Enquanto a Paty ria de mim, o gordaço recolhia os queijos que tinham caído da mesa e os colocava de volta ao espeto, que em minutos depois ele servia a um otário de outra mesa. Aquele restaurante me fez pegar ódio de caipira. Seja pelo garçom dizendo “Fartou dois garçom hoje” ou pela demora e péssimo atendimento, ou pela menina que passava o cartão que me perguntou “É créto ou déto?”, que em português significa “É crédito ou débito?”. Saímos de lá e continuamos nossa viagem, agora só eu e o Denis estávamos acordados. Enquanto Verônica cohilava no banco da frente e Paty roncava ao meu lado, eu e o Denis discutíamos sobre investimentos e negócios. Elas acordaram, resolvemos parar para tomar um cafezinho, acabamos comendo bombas de chocolate, tortinhas, pudim, coxinha, empadinha, leite com nescau, café. O que era para ser um café de 5 minutos, transformou-se na minha janta.

Chegamos em São Paulo, o Denis deixou a Paty em sua casa, depois me deixou em casa. Todos vivos, com boas memórias de uma viagem tranqüila, porém engraçada.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Medalha Dourada

Ontem assisti a final do Big Brother Brasil. Sim sim, o BBB!

Eu fiquei muito feliz com o resultado. Eu to muito cansado de ouvir as minorias reclamarem de suas fragilidades. "Ai...eu sou homossexual, me respeitem porque eu sou muito frágil". Aaahhh vai...pára com esse melindre.

Se eu morasse em um país de totalidade negra, eu poderia usar uma camiseta escrito "100% branco"? Se o Brasil tivesse mais gays do que heteros, eu poderia dizer o que quiser sobre os homossexuais, da mesma forma que eles dizem hoje sobre os heteros?

No Brasil, as pessoas mais preconceituosas fazem parte das minorias. Sim, pois sentem-se no direito de falar o que quiser de qualquer pessoa. Eu não respeito uma pessoa por ela ser negra ou homossexual, mas sim por ela ser uma pessoa.

Eu tenho amigos negros, homossexuais e de diversas "minorias" sociais e étnicas, mas não os trato com mais cuidado do que trato meus amigos heterossexuais e brancos. Eu também faço parte da diversidade, pois, em diversos lugares, sou diferente da maioria. No meu trabalho existem pessoas que ganham mais do que eu, que são mais bonitas, que são mais inteligentes...elas vivem um mundo diferente do meu e possuem mais benefícios e credibilidade na sociedade, mas eu não sou menos respeitado do que elas. Eu cobro de todas as pessoas a mesma coisa: RESPEITO.

O legal desta última edição é que o vencedor foi uma pessoa normal, que possui diversos defeitos e diversas qualidades. Igualzinho aos homossexuais, negros, asiáticos, índios, brancos, pobres, ricos.

Ah...tem outra coisa...desde quando o Big Brother tem que premiar a pessoa mais boazinha, ou mais bonitinha. Lembre-se que o mesmo programa já elegeu vencedor um homossexual, uma mulher, uma pessoa pobre, uma pessoa bonita. A vida é assim, muitas pessoas vão ter o que você não tem, muitas outras vão conseguir algo que você merecia mais. Mas isto não importa, o seu foco tem que ser em sua própria vida. Se você se ofende com a vitória de alguém, lembre-se que estará dando o direito de alguém se ofender com as suas vitórias.

sexta-feira, 26 de março de 2010

BOM FIM DE SEMANA!

NESTE FIM DE SEMANA....


Receba visitas em casa!
Dê a mão ao próximo!

Leve trabalho pra casa...

Passe um tempo com algumas crianças.

Recupere a auto-estima...cuide de você!

Pratique esportes seu elefantinho!

ENJOY!


quinta-feira, 25 de março de 2010

A Batalha do Moicano

Vindo ao trabalho hoje, escutei algo interessante na rádio. Uma escola particular proibiu que um aluno com o cabelo estilo moicano participasse das aulas. O motivo alegado é que o cabelo era muito extravagante. Quando chego ao trabalho, vou verificar na internet para saber qual escola é esta, e para a minha supresa, é o Colégio Adventista. Quando fiquei sabendo, um sorriso veio ao meu rosto, meus olhos brilharam e até comecei a rir sozinho. Eu vou explicar o porque.

Eu estudei por cinco anos, da 8ª série até o 3º colegial, em duas unidades do Colégio Adventista. Foram cinco anos, pois repeti o 1º colegial! =) E durante este tempo que passei por lá, travei batalhas homéricas referentes ao meu estilo, principalmente ao do cabelo.

1º round: Brinco na orelha (Como tudo começou)
Logo na oitava série, coloquei um brinco na orelha. Quando eu estava entrando na escola, o Tio Zé, porteiro do colégio, apontou para a minha orelha e disse que eu teria que tirar o brinco. Passei por ele sorrindo, brincando, imaginando que aquilo era uma piada. Quando foi no intervalo, o diretor me chama para conversar e diz que eu terei que retirar o brinco. Eu perguntei o porque, e ele simplesmente disse que não podia. Argumentei por mais alguns minutos, mas não teve jeito, tive que tirar. Assim que saí da sala dele, coloquei de volta. E foi assim, durante 1 mês, o diretor me chamava quase que diariamente para a sala dele para que eu tirasse o brinco de novo, e eu mantinha o protocolo, argumentava, tirava o brinco e, assim que saía da sala, colocava de novo. Alguma hora eles desistiram de me convencer e de me dar advertências, que a minha mãe nunca viu. Depois de 2 meses, metade dos moleques do colégio usavam pelo menos um brinco! Há!

2º round: Cabelo Loiro (A saga do cabelo)
Um dia resolvi pintar o cabelo de loiro. Hoje quando vejo alguma foto, me arrependo do fundo do meu coro cabeludo. Mas, naquela época, eu achei bem loko! Chegando segunda-feira na escola, lá vem o Tio Zé apontando para o meu cabelo, daí eu fiquei meio irritado: "O cabelo é meu Tio Zé, não posso pintar do jeito que eu quiser?" Não foi desse jeito rimado que eu disse, mas essa foi a intenção. Da mesma forma que com o brinco, entrei na escola, rindo da situação, mas preocupado com o que poderia acontecer. No intervalo de uma das aulas: "Lá vem o diretor, cheio de paixão! Me ferrar! Me ferrar! Me ferrar!". Tive que acompanhá-lo até a sala dele, ouvir um sermão do tipo "Você só quer aparecer". Ouvi, disse o que pensava e fui mandado de volta para a sala de aula. Mas senti que a escola estava de olho em mim: os professores, orientadores e monitores viviam falando mal do meu cabelo na frente dos outros alunos. Eu rebatia, mas eles continuaram me recriminando por algum tempo.

3º round: Cabelo azul (Um por outro, e outro por um)
Me sentindo recriminado demais, pensava se deveria pintar o meu cabelo novamente. Eu não era um cluber, mas gostava de fazer coisas diferentes. Pensei comigo, quer saber, vou pintar de azul. Não era aquele azuuuul, era azulado. Quando cheguei na escola, vejo o Tio Zé, com a maior cara de espantado, olhando ao meu cabelo, e fazendo não com o dedo "Não vai entrar assim". Eu fingi que não tinha ouvido e comecei a entrar, quando ele segurou no meu braço e disse "Não, vai pra diretoria". Bom, só para explicar, eu era muito inconsequente naquela época. Quando ele segurou no meu braço, empurrei ele e puxei o meu braço, e ele me segurou novamente, e começamos a travar um duelo para ver quem ficava com o meu braço. Ele ganhou! Fui à diretoria, tomei um chá de cadeira, imagino que para eu me sentir tenso. Mas o melhor (pra mim) e o pior (pra escola) aconteceu, um graande amigo meu, e parceiro de advertências e confusões, aparece na mesma sala que eu, porque tinha chegado atrasado pela décima vez naquele mês. Era o César. Começamos a conversar e um ia alimentado o ódio pela escola ao outro.


Quando o diretor chegou, estávamos anestesiados e prontos para levar às últimas consequências. Tomamos uma bronca coletiva, o diretor começou a falar como nós éramos péssimos exemplos aos outros alunos e que não queríamos saber de estudar, só de confusão. Desceu a lenha no meu cabelo, e blá blá blá...e pediu para que eu pintasse o meu cabelo de preto. Então eu perguntei "Eu posso pintar de preto, mas não de azul? Por que?". Mesmo tendo entendido o que ele tinha falado, mantive este raciocínio do "Preto pode, mas azul não?". Saí da sala dele, junto ao César, com uma advertência no caderno e a liberdade nas mãos.

4º round: Moicano (O Último dos Moicanos?)
Nos deparamos com alguns momentos difíceis em nossas vidas. Momentos de tensão, ansiedade, medo, expectativas. Foi assim, numa sexta-feira, quando estava caminhando rumo ao colégio, com um corte de cabelo moicano. Eu sabia que estava pisando em ovos. Chego ao portão, e lá está o bom e velho Tio Zé. Fiquei esperando o que ele diria, mas não disse nada, apenas deu um olhar de repovação. Entrei, me sentindo o campeão. Entrei na sala, todo mundo comentou, aquele dia passou e tudo correu bem. No próxima dia de aula, uma segunda-feira, eu estava sentado com alguns amigos no canto da quadra, trocando idéia e falando besteira, quando o monitor me chama e pede para eu acompanhá-lo. Percebo que estou indo à sala do diretor. Já imaginava o que aconteceria, então, estava tranquilo. Entrei, sentei, o diretor estava escrevendo algo, eu fiquei lá, quieto. Ele pára de escrever, olha pra mim balançando a cabeça em reprovação e diz "Thiago, esta é uma carta aos seus pais. Estou convocando eles para virem até a escola. Você está sendo convidado a se retirar". Senti como se uma bola de demolição tivesse colidido com o meu estômago. Percebi que tinha provocado mais do que eu podia. Ele me dispensou, saí da sala dele, andando com olhar de perdido. Cheguei na quadra, estava quase acabando o intervalo. Comentei com meus amigos, eles fizeram cara de espanto, mas mesmo assim, riram.


Sinal de saída, estou voltando para casa, acompanhado do César. Eu não sabia como passar a notícia para a minha mãe, fui raciocinando em voz alta e falando para meu amigo algumas idéias, e foi quando ele disse algo genial "Você é burro? Não conta pra ela!" Eu respondi "Você acha que eles não vão ligar pra ela?" e ele retrucou "Deixa ligar...ainda assim você terá mais chances de escapar". Pensei, achei meio louco, mas era a minha melhor opção.

Fiz isto, passaram uns 3 dias, e o diretor me encontrou na quadra e perguntou "Thiago, ainda não recebi o telefonema de seus pais". Eu respondi "Ah é? Que estranho". Ele desconfiado, replicou "Você os avisou, correto?" e eu respondi "Correto!". Ele foi embora, eu tava mega preocupado, mas meu amigo repetia "Relaxa". Naquele mesmo dia, eu reparei que mais um menino, de algumas séries abaixo da minha, havia feito um moicano também.


Passou mais ou menos uma semana, e o diretor me chamou à sala dele novamente, fui com o rabo entre as pernas. Assim que sentei, ele pegou o telefone na mão e disse "Thiago, me fala o telefone da sua casa". Eu falei e ele ligou. Minha mãe atendeu, ele começou a conversar com ela e explicar tudo que estava rolando. Terminou a conversa com ela, olhou pra mim e começou a me dar um mega sermão sobre o meu futuro. Ao terminar, disse que eu não precisava sair da escola, mas que os meus atos seriam vigiados. Eu acenei com a cabeça, levantei e fui embora.

5º round: A Vitória é de Todos
No dia seguinte, tava rolando uns jogos de futebol na quadra, eu estava esperando ao lado do professor de educação física para entrar no próximo, o diretor passou e parou para conversar com o professor. Ele pediu para o professor organizar melhor os alunos que estavam na torcida para não ficar muita bagunça. O professor respondeu que ia fazer isto, então o diretor olhou pra mim e brincou com o professor "E o Pica-Pau aí, vai jogar?" O professor riu e respondeu "Opa...vai sim". Foi então que eu resolvi abrir a mente daquele energúmeno:

Eu perguntei: "Diretor, você já reparou que já tem pelo menos umas 10 pessoas com cabelos pintados de cores extravagantes, brinco, piercing e até um moleque da 7ª série de moicano?"
Diretor respondeu: "Infelizmente sim".
Eu retruquei: "Tá vendo, isto não atrapalha a vida de ninguém...nem a sua, nem a minha, nem a da escola e nem a dos alunos".
Diretor explica: "O problema é desviar o foco Thiago. A escola é feita para estudar, não para se fantasiar."

Foi quando, em um momento mágico, chegou a esposa dele na escola, trazendo o filho de 5 ou 6 anos para visitar o pai. Quando eu olho para o moleque, adivinha....sim, o guri usava um moicano, ainda leve, não totalmente raspado dos lados, mas ainda um moicano. O diretor questionou o cabelo para a esposa e ela disse:

"Não estrague o prazer do menino, ele quis vir aqui só pra te mostrar o cabelo"

A GUERRA GANHA ESTÁ!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Eduardo e Mônica

Como estou sem tempo para escrever, segue um vídeo muito legal da música Eduardo e Mônica.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Comida Diferente

A comida para você é só alimento? Ahh...então está te faltando criatividade. Olha isso:
Filhote de Gema

Romance: Tomateu e Laranjeta

Laranja Operária

MelanCielo

Pé de Pão (Fala várias vezes...e bem rápido)
Cara de Repolho

Melan...cólica!
Suicídio da Laranja
Mão de Pão Duro
O Bichinho da Maçã Evoluiu



terça-feira, 9 de março de 2010

O Sentido da Vida (por Ed Rene Kivitz)

Estudo publicado pela revista britânica Journal of Humanistic Psychology diz ter concluí­do qual é afinal o sentido da vida. Pelo menos na visão de 17% (o maior grupo) das 200 personalidades marcantes cujas palavras foram analisadas por uma equipe de psicólogos americanos, "a vida é para ser desfrutada". Entre os que partilhariam dessa visão estão o ex-presidente dos EUA Thomas Jefferson e a cantora Janis Joplin, que morreu aos 27 anos.

Em segundo lugar, aparecem aqueles que acreditavam que o sentido da vida é "amar, ajudar e prestar serviços aos demais". Neste grupo estão o fí­sico Albert Einstein e o líder indiano Mahatma Gandhi.


Mas há também os pessimistas, para quem a vida simplesmente não tinha sentido. Onze por cento, segundo o estudo, pensavam dessa forma. Entre eles Sigmund Freud e os escritores Franz Kafka e Jean Paul Sartre.


Finalmente, um menor número de estudados pensava que a vida é simplesmente "uma piada". Entre os tais estão o cantor Bob Dylan e o escritor Oscar Wilde.

Acredito que se fosse entrevistado por este grupo de psicólogos, marcaria X em todas as alternativas. Estou entre aqueles que acreditam que o sentido da vida está em viver. O mistério da vida se resolve passo a passo, quando somos capazes de realizar com dignidade o sentido embutido em cada momento e situação. Por isso, o sentido da vida não se equaciona na elucidação dos grandes mistérios, nem no êxtase dos grandes eventos, feitos, ou experiências arrebatadoras. Harold Kushner disse que "tentar encontrar a Grande Resposta para a Grande Pergunta a respeito do problema da vida é como tentar comer a Grande Refeição, para nunca mais ter de se preocupar com a fome". Jesus ensinou que devemos buscar o reino de Deus e sua justiça a cada dia, vivendo o hoje e deixando o amanhã nas mãos do Pai Celestial.

Amar, ajudar e prestar serviços aos demais? Claro. Egoí­smo e narcisismo são da mesma famí­lia da infelicidade, pois qualquer que pretenda encontrar sentido em si mesmo vai se decepcionar. Jesus ensinou que Deus é amor e, portanto, acredito na máxima que diz que "quem não vive para servir, não serve para viver".

Mas há também os pessimistas, para quem a vida simplesmente não tem sentido. E com eles me solidarizo. Os filósofos existencialistas ocupam lugar de honra em minha biblioteca. Também faço suas perguntas. Também sofro a ausência de respostas para muitas delas. A Bí­blia ensina que os dias são maus, pois esse mundo é mau, já que tem como seu deus o Maligno. Não fosse a paz que Jesus dá, paz que o mundo desconhece, eu não suportaria a maldade e as fatalidades que acometem pessoas inocentes e, se não totalmente inocentes, certamente não mais culpadas do que eu.

A afirmação de que a vida é simplesmente "uma piada" também faz eco no meu coração. Mark Twin disse que "ninguém tem mais saúde do que aquele que é capaz de rir de si mesmo". Por isso é que Deus de vez em quando "morre" de rir (Salmo 2.4). Que pena que os pessimistas que consideraram a vida uma piada riram sozinhos, melancólicos, irônicos e se deixaram vencer pelo cinismo e a amargura de alma. Que pena que não aprenderam a rir com Deus. Deus logo após se rir da patética configuração que os homens deram ao mundo, começou a chorar. E porque tanto amou os homens e seu mundo, invadiu a história para redimir tudo com o poder da cruz de Jesus e a vida que deixou vazio o túmulo onde o sepultaram.

Imagino como se comportariam Thomas Jefferson e Janis Joplin, Albert Einstein e Mahatma Gandhi, Sigmund Freud, Franz Kafka e Jean Paul Sartre, Bob Dylan e Oscar Wilde, na maioria dos auditórios evangélicos, por exemplo, na cidade de São Paulo, no próximo domingo. Fico a me perguntar se ouviriam algo que lhes fizesse sentido, uma palavra relevante, uma resposta inteligente. Considero se ficariam impressionados com a reverência no ambiente ou se seriam tomados de temor diante de um povo em profunda adoração. Devo confessar minha incredulidade. Acho que sairiam sacudindo a cabeça, indiferentes, ou até mesmo com mais motivos para o cinismo, o pessimismo, a blasfêmia e a chacota. Paradoxalmente, isto não me desmotiva, nem enfraquece minha fé. Na verdade, revigora minha fé e me faz ser grato a Deus, pelo Espírito Santo que constrange o coração humano, razão pela qual as pessoas continuam sendo convertidas a Deus. Pessoas que eu jamais acreditaria fossem se converter. Inclusive eu.

2009 Ed René Kivitz